A nossa rede de segurança
O que é que nos ajuda a lidar com os momentos difíceis da vida? As despedidas, as tristezas, os medos?
Há quem considere que depende de uma capacidade de resistência ou resiliência que uns têm e outros não. Isto pressupõe que uns são fortes e outros frágeis, uns superam melhor e outros pior ou não superam mesmo.
Prefiro pensar na hipótese de todos conseguirem lembrar a sua rede de segurança e, se não a lembram, aprender a construi-la:
Houve um tempo-espaço de absoluta segurança
num passado, perto do início de tudo.
Nem todos se lembram desse tempo-espaço
mas essa sensação de segurança está lá
mesmo em experiências muito amolgadas.
Penso que todos temos essa energia vital
a partir do momento em que decidimos viver.
Porque é disso que se trata:
no início de tudo escolhemos viver.
Toda a nossa vitalidade se organizou para viver.
Respiramos essa vitalidade inicial.
Esse tempo-espaço prolonga-se até se tornar passado-presente.
É a nossa rede de segurança.
Voltamos lá, a esse tempo-espaço
sempre que caímos ou que nos magoamos.
É um lugar secreto, só nosso
onde nada nem ninguém nos pode destruir.
Aí podemos recuperar a nossa vitalidade inicial
e arriscar novas experiências.
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Uma perspectiva interessante do amor
Alain de Botton é um jovem filósofo culto, criativo, cheio de energia e bom comunicador.
É essencialmente conhecido pelo seu livro O Consolo da Filosofia, um excelente exercício sobre alguns filósofos e como nos podem ensinar a viver melhor.
Uma das suas melhores ideias foi, sem dúvida, The School of Life. E, mais recentemente, The Book of Life.
Mas também Art as Therapy nos inspira a reflectir sobre a vida, os relacionamentos, o trabalho.
Hoje encontrei este vídeo delicioso sobre o amor, uma perspectiva muito interessante do que é realmente o amor, o amor adulto.
Partindo do amor romântico, que descreve de forma humorística, propõe uma visão realista e até pessimista do amor. Dito assim, parece retirar ao amor o seu lado excepcional, fora da vida normal e rotineira, e é mesmo isso que propõe. Se retirarmos as ideias românticas - como mostrar-se tal como se é, não ter segredos, e esperar ser aceite assim mesmo -, o que fica do amor? Precisamente, o amor é tudo o que existe de real depois de retirar o romantismo. É hilariante, visto nesta perspectiva.
